História da Dança

O surgimento do balé na Renascença italiana e francesa

O surgimento do balé na Renascença italiana e francesa
⚠️ Nota de Atualização: Este artigo foi revisado em 24 de junho de 2025 e contém informações atualizadas.

O surgimento do balé na Renascença italiana e francesa

A dança, em suas múltiplas formas, sempre ocupou um lugar central nas sociedades humanas, servindo como meio de celebração, ritual e expressão. No entanto, a forma de dança que hoje conhecemos como balé tem suas raízes fincadas em um período específico da história europeia: a Renascença. Compreender o surgimento do balé na Renascença italiana e francesa é mergulhar em um mundo de cortes opulentas, espetáculos grandiosos e a fusão de diversas formas de arte.

A Renascença, um período de efervescência cultural e intelectual que floresceu na Itália a partir do século XIV e se espalhou pela Europa, trouxe consigo um renovado interesse pelas artes, pela ciência e pela antiguidade clássica. As cortes italianas, centros de riqueza e influência, tornaram-se palcos para a exibição de prestígio através de espetáculos elaborados. Foi nesse ambiente fértil que as feste, ou festas da corte, começaram a incorporar elementos de dança de forma mais estruturada. Essas celebrações não eram apenas entretenimento; eram cuidadosamente planejadas para impressionar convidados, cimentar alianças e projetar a imagem de poder e refinamento dos governantes. A dança, nesse contexto, era uma ferramenta social e política, parte integrante de banquetes, casamentos e recepções diplomáticas.

Inicialmente, as danças praticadas e apresentadas nas cortes italianas eram predominantemente sociais, com passos relativamente simples que a nobreza podia executar. No entanto, a partir do século XV, começou a surgir uma forma mais organizada e performática de dança, que combinava movimento com música, poesia e cenografia. Esses espetáculos, conhecidos como balletti (diminutivo de ballo, que significa dança), eram sequências de danças com um tema unificador, frequentemente baseadas em mitos clássicos ou alegorias. Eles eram parte de eventos maiores, como os intermezzi, que eram interlúdios performáticos apresentados entre os atos de peças teatrais ou óperas. É nesse cruzamento de formas artísticas e propósitos sociais que identificamos os embriões do que viria a ser o balé.

A transição da dança social para a dança cênica foi gradual, impulsionada pelo desejo das cortes de criar espetáculos cada vez mais elaborados e impressionantes. Mestres de dança começaram a documentar passos e coreografias, e a dança passou a exigir um nível maior de habilidade e ensaio. Figuras como Domenico da Piacenza e seu aluno Guglielmo Ebreo da Pesaro, no século XV, são pioneiros importantes, deixando tratados que descrevem danças, passos e a importância da musicalidade e da graça. Seus trabalhos mostram que, mesmo nessa fase inicial, havia uma preocupação com a técnica, a expressão e a estrutura coreográfica, elementos que são fundamentais para o balé moderno. A Renascença italiana, com seu florescimento artístico e sua cultura de corte, preparou o terreno para a exportação dessa nova forma de espetáculo para outras partes da Europa, notavelmente a França, onde o balé encontraria um ambiente propício para se desenvolver ainda mais.

As Sementes Italianas: Balletti e Intermezzi nas Cortes da Renascença

Para compreender plenamente o surgimento do balé na Renascença italiana e francesa, é fundamental examinar as inovações que ocorreram primeiramente na Itália. As cortes dos Medici em Florença, dos Sforza em Milão, dos Este em Ferrara e dos Gonzaga em Mântua eram centros de mecenato artístico e cultural. Nessas cortes, as festas e celebrações atingiram níveis de magnificência sem precedentes. Os balletti e intermezzi eram a joia da coroa desses eventos, combinando dança, música ao vivo, canto, poesia, cenários elaborados e figurinos suntuosos para criar espetáculos multimídia que deslumbravam a audiência. O objetivo era entreter, sim, mas também glorificar o governante e demonstrar sua riqueza e poder.

Os balletti iniciais eram frequentemente compostos por uma série de danças sociais estilizadas, conectadas por um tema narrativo. Os participantes eram membros da própria nobreza, que aprendiam os passos com mestres de dança. A ênfase estava na elegância, na postura e na capacidade de executar os padrões coreográficos no chão, que muitas vezes formavam desenhos geométricos significativos. A técnica de dança, embora presente, não era o foco principal; a performance como um todo, a interação entre os dançarinos e a forma como eles se moviam no espaço eram mais valorizadas. Era uma dança que refletia a ordem social e a harmonia idealizada da corte.

Os intermezzi, por sua vez, eram espetáculos mais complexos, apresentados entre os atos de peças de teatro. Eles podiam incluir canto, música instrumental, recitação, efeitos especiais e, claro, dança. Os intermezzi se tornaram cada vez mais elaborados ao longo do século XVI, com temas mitológicos ou alegóricos que comentavam, de forma indireta, a peça principal ou celebravam eventos da corte. Foi nos intermezzi que a dança começou a se destacar como um elemento performático independente, com coreografias mais complexas e a participação de dançarinos que, embora ainda fossem nobres, dedicavam tempo considerável ao ensaio.

Um exemplo notável do desenvolvimento dos intermezzi e balletti é a celebração do casamento de Ferdinando I de’ Medici e Cristina de Lorena em Florença, em 1589. Os intermezzi apresentados nessa ocasião foram espetáculos de tirar o fôlego, com máquinas cênicas que criavam ilusões de voo e transformações, figurinos extravagantes e música composta por alguns dos maiores músicos da época. A dança desempenhou um papel crucial nessas produções, integrando-se perfeitamente com os outros elementos para criar uma experiência sensorial total. Esses eventos mostram o quão sofisticados os espetáculos de corte italianos se tornaram, preparando o palco para a próxima fase na história do balé.

A documentação deixada pelos mestres de dança italianos da Renascença, como Domenico da Piacenza (cujo tratado De Arte Saltandi et Choreas Ducendi é um dos mais antigos sobre dança) e Guglielmo Ebreo, fornece insights valiosos sobre as práticas de dança da época. Eles descrevem passos como a bassadanza (dança baixa, deslizada) e a alta (dança alta, com saltos), e discutem qualidades como medida (musicalidade), memória (capacidade de lembrar os passos), partimento di terra (domínio do espaço), aiere (leveza), maniera (estilo) e movimento corporeo (movimento do corpo). Esses tratados demonstram que, mesmo nos primórdios, a dança de corte italiana já possuía uma estrutura pedagógica e uma preocupação com a estética e a técnica, elementos que seriam levados e transformados na França.

Leia +  O surgimento do jazz dance e sua ligação com a música jazz

A Travessia dos Alpes: Catherine de’ Medici e a Influência Italiana na França

A transição das origens do balé das cortes italianas para a França é um capítulo crucial na sua história e está intrinsecamente ligada a uma figura poderosa: Catherine de’ Medici. Nascida em Florença em 1519, Catherine era membro da influente família Medici e casou-se com o futuro rei Henrique II da França em 1533. Ao se mudar para a corte francesa, ela trouxe consigo não apenas a cultura e o refinamento italianos, mas também o amor por espetáculos elaborados, incluindo os balletti e intermezzi que eram populares em sua terra natal. Sua paixão por essas formas de entretenimento e seu desejo de elevar o prestígio da corte francesa através das artes foram catalisadores para o surgimento do balé na Renascença italiana e francesa como uma entidade mais definida.

A corte francesa no século XVI já possuía suas próprias tradições de festas e entretenimento, que incluíam danças sociais e mascaradas. No entanto, os espetáculos italianos eram, em muitos aspectos, mais integrados e narrativos. Catherine de’ Medici viu o potencial desses espetáculos para servir aos interesses da coroa francesa. Em um período de instabilidade política e guerras religiosas na França, a rainha-mãe utilizou os espetáculos da corte, incluindo a dança, como ferramentas de propaganda e unificação. Eles serviam para demonstrar a magnificência e a estabilidade da monarquia, distrair a nobreza de intrigas políticas e promover uma imagem de ordem e harmonia.

Catherine patrocinou e incentivou a criação de espetáculos cada vez mais grandiosos, frequentemente com temas que celebravam a paz, a concórdia e o poder real. Ela trouxe artistas e mestres de dança italianos para a França, que colaboraram com artistas franceses para criar uma nova forma de espetáculo de corte. Essa fusão de tradições italianas e francesas deu origem ao que ficou conhecido como Ballet de Cour (Balé de Corte). O Ballet de Cour manteve muitas características de seus predecessores italianos – a integração de dança, música, poesia, canto, cenografia e figurinos elaborados – mas começou a desenvolver uma identidade própria, adaptada ao contexto e aos objetivos da corte francesa.

A influência italiana foi profunda, mas a forma francesa logo começou a evoluir. O Ballet de Cour francês tendeu a ser mais focado em um tema central e a ter uma estrutura mais unificada do que os intermezzi italianos, que eram mais fragmentados. A dança continuou a ser executada principalmente por membros da nobreza, mas a complexidade das coreografias começou a aumentar, exigindo mais ensaio e habilidade. A figura do mestre de dança tornou-se cada vez mais importante na organização e criação desses espetáculos. A chegada de Catherine de’ Medici à França e seu patrocínio às artes cênicas foram, sem dúvida, o ponto de virada que impulsionou a dança de corte de um entretenimento sofisticado para uma forma de arte com potencial para se desenvolver em algo maior.

O Ballet de Cour Francês: Espetáculo, Política e a Busca por Ordem

Com a importação das tradições italianas por Catherine de’ Medici, o Ballet de Cour floresceu na corte francesa no final do século XVI e ao longo do século XVII. Este período é fundamental para a solidificação do balé como uma arte performática distinta. O Ballet de Cour era um espetáculo total, uma síntese de diversas artes que servia a múltiplos propósitos dentro da vida da corte. Mais do que simples entretenimento, era uma poderosa ferramenta de comunicação, um reflexo da hierarquia social e um meio de expressar ideais políticos e filosóficos da época. A dança, nesse contexto, não era apenas movimento; era linguagem simbólica, parte de uma narrativa complexa e alegórica.

Um dos primeiros exemplos notáveis de Ballet de Cour que demonstra a evolução da forma italiana é o Ballet des Polonais (Balé dos Poloneses), apresentado em 1573 para celebrar a eleição de Henrique de Valois (futuro Henrique III da França) ao trono da Polônia. Coreografado por Balthasar de Beaujoyeulx (um violinista e mestre de dança italiano a serviço de Catherine), este balé contou com 16 damas da corte francesa representando as províncias da França. A coreografia, embora simples para os padrões atuais, utilizava formações geométricas complexas no chão, como círculos, quadrados e triângulos. Essas formações não eram apenas esteticamente agradáveis; elas simbolizavam a ordem, a harmonia e a união do reino sob a monarquia, uma mensagem particularmente relevante em uma França dividida por conflitos.

O ápice do Ballet de Cour renascentista é amplamente considerado o Ballet Comique de la Reine (Balé Cômico da Rainha), apresentado em 1581 para celebrar o casamento da irmã da rainha, Marguerite de Valois. Também concebido e coreografado por Balthasar de Beaujoyeulx, este espetáculo é notável por sua unidade temática e narrativa. Com duração de mais de cinco horas, o balé contava a história do mito de Circe, a feiticeira que transforma homens em bestas, e sua derrota pelas forças da virtude e da razão, representadas pelo rei. A mensagem era clara: a ordem triunfa sobre o caos, e o poder real é a força que restaura a harmonia.

O Ballet Comique de la Reine integrou dança, música (composta por Lambert de Beaulieu e Jacques Salmon), canto, recitação de poesia e um cenário espetacular que incluía uma fonte e um jardim, representando o palácio de Circe. Os dançarinos, novamente membros da nobreza, executavam coreografias que combinavam passos sociais com movimentos mais teatrais, formando padrões geométricos no chão que podiam ser vistos de cima pela audiência sentada em galerias elevadas. Beaujoyeulx descreveu o espetáculo em detalhes em uma publicação posterior, chamando-o de “balé cômico” não no sentido de engraçado, mas no sentido clássico de uma história com final feliz, que integrava música, poesia e dança. Esta obra é um marco porque demonstrou o potencial do balé como uma forma de arte unificada e narrativa, pavimentando o caminho para desenvolvimentos futuros.

Leia +  Danças africanas tradicionais e sua influência mundial

As características do Ballet de Cour renascentista incluíam a participação da nobreza como performers, o uso de máscaras e figurinos alegóricos, a ênfase em formações espaciais e padrões geométricos, a integração de diferentes formas de arte e a função social e política do espetáculo. A dança ainda não possuía a técnica virtuosa do balé clássico posterior; o foco estava na elegância, na precisão dos padrões e na capacidade de transmitir a mensagem alegórica. O Ballet de Cour, portanto, foi um passo essencial na evolução da dança de entretenimento social para uma arte cênica formalizada, estabelecendo a França como o centro de desenvolvimento do balé nos séculos seguintes.

Da Corte ao Palco: Os Primeiros Passos para a Profissionalização

Embora o Ballet de Cour renascentista fosse predominantemente executado por membros da nobreza, as sementes da profissionalização começaram a ser plantadas durante este período. A crescente complexidade das coreografias e a necessidade de ensaios rigorosos exigiram a presença e a expertise de mestres de dança dedicados. Figuras como Balthasar de Beaujoyeulx não eram apenas coreógrafos; eram organizadores de espetáculos, responsáveis por coordenar a música, a cenografia, os figurinos e a performance como um todo. A sua importância crescente na corte demonstrava que a dança estava se tornando uma disciplina que exigia conhecimento e habilidade especializados.

Além dos mestres de dança, outros profissionais das artes cênicas, como músicos, compositores, poetas, cenógrafos e figurinistas, eram essenciais para a criação dos Ballets de Cour. A colaboração entre esses artistas de diferentes áreas contribuiu para a sofisticação dos espetáculos e para o desenvolvimento de técnicas e convenções teatrais que seriam importantes para o balé futuro. A necessidade de criar máquinas cênicas elaboradas e figurinos deslumbrantes, por exemplo, impulsionou inovações em design e engenharia teatral.

Um fator crucial que impulsionaria a profissionalização foi a eventual necessidade de dançarinos com habilidades técnicas superiores. Embora a nobreza continuasse a participar dos balés, a demanda por performances mais complexas e virtuosas levaria gradualmente à inclusão de dançarinos treinados, que não pertenciam à aristocracia. Este processo seria mais evidente no século XVII, particularmente sob o reinado de Luís XIV, o “Rei Sol”, que era um ávido dançarino e patrono das artes. Luís XIV fundou a Académie Royale de Danse em 1661, um marco na história do balé, pois formalizou o ensino da dança e estabeleceu as bases para a técnica clássica.

A fundação da academia marcou uma mudança significativa. A dança deixou de ser exclusivamente uma atividade de corte para se tornar uma disciplina formalizada, com um currículo, regras e um sistema de ensino. Os mestres de dança da academia começaram a codificar os passos e as posições, criando um vocabulário de movimento que seria a base do balé clássico. Embora essa fase de profissionalização tenha se consolidado após o período renascentista, suas raízes estão firmemente plantadas na crescente complexidade e na importância atribuída à dança nos espetáculos de corte da Renascença italiana e francesa. A transição de uma dança social amadora para uma arte cênica que exigia treinamento especializado foi um processo evolutivo impulsionado pela ambição artística e política das cortes renascentistas.

Assim, ao analisar o surgimento do balé na Renascença italiana e francesa, percebemos que não foi um evento único, mas um processo gradual de refinamento e formalização. Os balletti e intermezzi italianos forneceram o modelo inicial de espetáculo integrado. Catherine de’ Medici atuou como a ponte cultural, levando essas ideias para a França. E o Ballet de Cour francês, com sua ênfase na narrativa, na simbologia e na organização, elevou a dança de corte a um novo patamar, criando as condições necessárias para o eventual desenvolvimento do balé como uma profissão e uma arte autônoma. A história do balé é, em muitos aspectos, a história dessa evolução, da festa aristocrática ao palco teatral.

Legado Renascentista: Como as Origens Moldaram o Balé Moderno

Compreender o surgimento do balé na Renascença italiana e francesa não é apenas um exercício acadêmico; é fundamental para apreciar a arte do balé em sua forma moderna. Muitos dos princípios e características que definem o balé clássico e contemporâneo têm suas raízes nos espetáculos de corte dos séculos XVI e XVII. O legado renascentista é visível na estrutura, na estética e até mesmo no vocabulário do balé. Ao traçar essa linhagem histórica, ganhamos uma perspectiva mais profunda sobre por que o balé é como é hoje.

Um dos legados mais óbvios é a própria terminologia. Muitas palavras usadas no balé, como “balé” (do italiano balletto), “passo” (pas), “plié”, “tendu”, etc., têm origem francesa ou italiana. Isso reflete a influência direta dos mestres de dança italianos e franceses que codificaram a técnica nos séculos posteriores à Renascença. O vocabulário do balé é um testemunho vivo de suas origens europeias e da importância das cortes italiana e francesa em sua formação.

A ênfase na mise en scène total – a integração de dança, música, cenografia, figurinos e narrativa – que era central nos intermezzi e Ballets de Cour, continua sendo um pilar da produção de balé. Embora o foco tenha mudado da participação da nobreza para dançarinos profissionais, a ideia de que o balé é um espetáculo visual e auditivo que conta uma história ou evoca uma atmosfera remonta a essas primeiras produções. O balé ainda busca criar mundos no palco, combinando diferentes elementos artísticos para envolver a audiência.

A importância da forma e da linha, características distintivas do balé clássico, também pode ser rastreada até a Renascença. A preocupação dos mestres de dança italianos com a postura, a elegância e a clareza do movimento, bem como a ênfase do Ballet de Cour francês em formações geométricas e padrões espaciais, estabeleceu uma base estética que valoriza a precisão visual e a harmonia. Embora a técnica tenha se tornado infinitamente mais complexa, o ideal de um corpo controlado e expressivo que cria belas formas no espaço tem suas raízes nesse período.

Além disso, a função narrativa do balé, que se tornou proeminente no balé romântico e clássico com obras como Giselle e O Lago dos Cisnes, tem seus precursores nos balés de corte que contavam histórias alegóricas ou mitológicas. O Ballet Comique de la Reine, em particular, demonstrou o potencial da dança para desenvolver uma narrativa coerente e transmitir significado através do movimento e da encenação. Essa tradição de contar histórias através da dança é um legado direto da Renascença.

Leia +  Martha Graham e os pioneiros da dança moderna

Finalmente, o próprio conceito de performance como um evento social e cultural significativo, capaz de refletir e influenciar a sociedade, é algo que o balé herdou de suas origens na corte. Embora o balé moderno seja acessível a um público mais amplo e não sirva mais como propaganda monárquica direta, ele ainda ocupa um lugar importante na cultura, refletindo temas sociais, explorando a condição humana e proporcionando uma experiência estética e emocional compartilhada. A ideia de que a dança cênica tem o poder de comunicar e de impactar a audiência é uma herança direta do papel que o balé desempenhava nas cortes da Renascença.

Dicas para Apreciar e Estudar as Origens do Balé

Para aqueles que se interessam por dança, especialmente balé, mergulhar na história de o surgimento do balé na Renascença italiana e francesa pode enriquecer enormemente a sua apreciação da arte. Não se trata apenas de memorizar datas e nomes, mas de entender o contexto cultural, social e político que moldou o balé em seus primórdios. Aqui estão algumas dicas práticas para explorar e se conectar com essa fascinante história:

1. Pesquise e Leia: Existem muitos livros, artigos acadêmicos e recursos online dedicados à história da dança e do balé renascentista. Procure por obras que abordem os balletti italianos, os intermezzi e o Ballet de Cour francês. Autores como John Weaver, Gretchen Warren, Ivor Guest e Sarah McCleave são referências importantes. Ler traduções ou análises dos tratados dos mestres de dança renascentistas, como Domenico da Piacenza e Guglielmo Ebreo, pode oferecer uma visão direta das práticas e teorias da época. (Considere adicionar links para livros recomendados ou artigos de referência aqui, se apropriado para o seu blog).

2. Assista a Reconstruções Históricas: Alguns grupos de dança e pesquisadores se dedicam à reconstrução de danças e balés renascentistas com base nas notações e descrições históricas. Embora essas reconstruções sejam interpretações, elas oferecem uma oportunidade única de visualizar como esses espetáculos poderiam ter sido. Procure por vídeos online de performances de dança renascentista ou por grupos que se especializam em dança histórica. Isso pode ajudar a dar vida às descrições encontradas nos textos.

3. Explore a Música da Época: A música era parte integrante dos espetáculos de balé renascentista. Ouvir música composta para as cortes italianas e francesas do século XVI e início do XVII pode ajudar a entender o ritmo, a melodia e a atmosfera que acompanhavam a dança. Compositores como Claudio Monteverdi, Jean-Baptiste Lully (embora mais proeminente no final do século XVII, suas raízes estão nesse período de transição) e os compositores associados aos intermezzi florentinos de 1589 são bons pontos de partida. Muitos álbuns de música renascentista estão disponíveis em plataformas de streaming.

4. Visite Museus e Galerias: A arte visual da Renascença, incluindo pinturas e ilustrações de festas da corte, pode fornecer pistas sobre os figurinos, cenários e a forma como a dança era percebida e representada na época. Museus com coleções de arte renascentista italiana e francesa podem oferecer um contexto visual rico para o estudo do balé inicial. Preste atenção a tapeçarias, manuscritos iluminados e gravuras que retratam celebrações da corte.

5. Considere Aulas de Dança Histórica: Embora possa ser difícil encontrar, algumas escolas ou grupos oferecem aulas de dança renascentista ou barroca. Participar de uma aula prática pode oferecer uma compreensão corporal dos passos básicos e dos padrões espaciais que eram característicos da época. Sentir a música e o movimento no seu próprio corpo pode ser uma forma poderosa de se conectar com a história.

6. Conecte com o Balé Moderno: Ao assistir a um balé clássico ou contemporâneo, tente identificar elementos que você aprendeu sobre as origens renascentistas. Você consegue ver a ênfase na linha, na forma, na narrativa ou na integração das artes? Refletir sobre como as tradições renascentistas evoluíram e se transformaram pode aprofundar sua apreciação pela arte do balé em sua totalidade.

Estudar as origens do balé na Renascença é uma jornada fascinante que revela a rica tapeçaria cultural da época e a evolução de uma das mais belas formas de arte. Ao utilizar essas dicas, você pode ir além da superfície e obter uma compreensão mais profunda e pessoal de como o balé, como o conhecemos, começou a tomar forma nas cortes da Itália e da França. É uma forma de honrar o passado enquanto se aprecia o presente da dança.

Conclusão: O Legado Duradouro das Cortes Renascentistas

Ao longo deste artigo, exploramos a fascinante história de o surgimento do balé na Renascença italiana e francesa, rastreando suas origens desde as elaboradas festas da corte italiana até a formalização do Ballet de Cour na França. Vimos como a dança evoluiu de um entretenimento social para um espetáculo cênico complexo, integrando música, poesia, cenografia e figurinos para servir a propósitos artísticos, sociais e políticos. As cortes dos Medici, Sforza, Este e Gonzaga na Itália, e a corte Valois e Bourbon na França, sob a influência crucial de Catherine de’ Medici, foram os berços onde o balé começou a tomar forma.

Os balletti e intermezzi italianos estabeleceram o precedente para espetáculos integrados e temáticos, enquanto o Ballet de Cour francês, exemplificado pelo monumental Ballet Comique de la Reine, refinou a estrutura narrativa e utilizou a dança como uma poderosa ferramenta simbólica e política. A participação da nobreza, a ênfase em padrões geométricos e a busca pela harmonia e ordem foram características definidoras dessa era inicial do balé. Embora a técnica virtuosa que associamos ao balé clássico ainda estivesse em sua infância, as bases estéticas e estruturais foram firmemente estabelecidas.

A transição da dança de corte para uma arte profissional foi um processo gradual, impulsionado pela crescente complexidade das coreografias e pela necessidade de mestres de dança especializados. O legado da Renascença é inegável no balé moderno, visível em sua terminologia, em sua estrutura de produção total, em sua valorização da forma e da linha, e em sua capacidade de contar histórias e evocar emoções. Estudar essa história não é apenas uma lição de história da arte; é uma forma de entender a própria essência do balé e apreciar a profundidade de suas raízes culturais.

Para o entusiasta da dança, explorar as origens renascentistas do balé oferece uma perspectiva rica e valiosa. Incentivamos a pesquisa, a audição da música da época, a visualização de reconstruções e a conexão dessa história com as performances de balé que você assiste hoje. O balé é uma arte viva, em constante evolução, mas suas fundações foram solidamente construídas nas cortes vibrantes e criativas da Renascença italiana e francesa. Que essa jornada histórica inspire uma apreciação ainda maior por essa forma de arte atemporal.

Links:

Home

O que é dança

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*